O doutor disse que era normal que muitas outras crianças nasciam assim, e me deu um tapinha até eu chora e demorar pra para. O que isso significa? Que sou incontrolado? Chato? Indeciso? E que espero muitos dos outros? Não, mas sou assim mesmo. Sou incomum, diferente. AMO ser assim!!
Quando tinha 16 anos me descobri gay, não que antes eu não soubesse quem eu era, mas naquele tempo eu era diferente dos gays e dos héteros então o que realmente eu era? Com 14 nos e vivendo coisas que não sabia explicar e tendo desejos que não podia contar, minha unica saída do "inferno" era um caderno e uma caneta. Por muito tempo foi meu confidente até eu chegar no ensino médio e fazer amizades com duas pessoas maravilhosas (no inicio de nossa amizade). E então descobri o que realmente era, o que meus sentimentos significavam e como agir mais ou menos contra e a favor deles.
Foi um ano cheio de altos e baixos, a pior e ao mesmo tempo melhor coisa que me aconteceu foi quando minha mãe descobriu. Sabe aquele caderno e aquela caneta que eu havia falado então, eu continuei a escrever e da ir ela descobriu que eu era gay e que não sabia como lhe contar. Não to dizendo que ela aceitou de boa, por isso o pior que falei, ela achou que era uma coisa passageira e que se me levasse pra igreja ajudaria em alguma coisa. Ela me machucou tanto naquele tempo, que tinha dias que eu queria morre e outros que só me cortando diminuía a dor.
No meio disso tudo ela foi procura ajudar, pense na minha cara de surpreso quando ela aparece do nada na escola e começa a conversa com meus professores. Pois é, fiquei sem reação, como de costume naquela semana e nas seguintes fiquei isolado chorando litros, meus amigos tentavam me animar, mas eu sentia que nada ia mudar ou que não havia sentido viver sem minha mãe me amar mais. Porém eu tinha dois anjos como professores (Não irei citar nomes, questão de alguma coisa que me obriga a omitir) minha professora de Geografia e o de Matemática, conversaram com minha mãe e lhe fizeram entender um pouco o que isso era e que não era de hoje (sempre demostrei mais interesse em coisas femininas), depois dessa conversa eles vieram fala comigo e tenta me acalmar de alguma maneira, de certa forma fiquei mais tranquilo, eles eram os professores que mais admirava e estavam me dando uma força pensei que podiam fazer minha mãe entender também.
Estava enganado, ela disse que ia me mandar pra São Paulo com minha Vó (que não sabia que sou gay), e eu fiquei sem saber se era por que minha Vó já ia mesmo ou só por que eu era gay e ela não queria me ver mais. Então na metade do meu segundo ano do ensino médio fui para São Paulo com minha Vó e passamos 2 meses lá antes de minha mãe ir com minha irmã, durante esse tempo lá me perdi, fiquei mais emotivo e isolado de todos, a escola era horrível, pessoas comuns fazendo coisas fúteis só para se destacar no meio de uma sociedade consumista. Eu morria de medo de alguem fala comigo e descobri que eu era gay e me "perseguirem" o resto do ano. Minha irmã que estudava comigo meio que me apoiava, tipo, ela é uma pessoa difícil de se lidar, mas também uma ótima pessoa.
Em uma certa noite (estudávamos a noite) uns caras da nossa sala, amigos do meu prima, pessoas "legais". Me perguntaram se eu era gay, era a primeira vez que alguém (fora a minha mãe) me perguntava aquilo e logo na frente de minha irmã. Parei um minuto e fiquei meio sem reação, mas eu senti que se eu mentisse naquele momento eu irias passa o resto da minha vida mentindo e aquilo iria me matar. Então eu disse "Sim", nossa aquilo foi magico, libertador, naquele momento me encontrei novamente e senti que tudo poderia ser resolvido. Acreditem mentir para sí mesmo é o pior da vida, então no final minha ida para São Paulo não tinha sido assim em vão, e depois desse período lá, minha mãe foi me entendendo e vendo que eu só era feliz sendo quem eu realmente era.
Somos uma família podre (economicamente falando) e como minha mãe não arrumou emprego lá voltamos para Pernambuco. E então algo mudou...
Em uma certa noite (estudávamos a noite) uns caras da nossa sala, amigos do meu prima, pessoas "legais". Me perguntaram se eu era gay, era a primeira vez que alguém (fora a minha mãe) me perguntava aquilo e logo na frente de minha irmã. Parei um minuto e fiquei meio sem reação, mas eu senti que se eu mentisse naquele momento eu irias passa o resto da minha vida mentindo e aquilo iria me matar. Então eu disse "Sim", nossa aquilo foi magico, libertador, naquele momento me encontrei novamente e senti que tudo poderia ser resolvido. Acreditem mentir para sí mesmo é o pior da vida, então no final minha ida para São Paulo não tinha sido assim em vão, e depois desse período lá, minha mãe foi me entendendo e vendo que eu só era feliz sendo quem eu realmente era.
Somos uma família podre (economicamente falando) e como minha mãe não arrumou emprego lá voltamos para Pernambuco. E então algo mudou...
Continua...

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